Um ano após surto de virose, Guarujá sofre com falta d'água e esgoto no mar

Um ano após o surto de virose gastrointestinal que atingiu Guarujá, na Baixada Santista, moradores e comerciantes voltam a relatar problemas recorrentes no saneamento básico e no abastecimento de água. Desde dezembro de 2025, bairros da cidade enfrentam baixa pressão, interrupções frequentes e longos períodos sem água, situação que se agrava durante a alta temporada turística.

Segundo relatos, regiões próximas à orla também sofrem com o desabastecimento. A Praia do Tombo chegou a ficar quase 30 dias sem fornecimento, levando moradores a recorrerem a caminhões-pipa e ao uso de água mineral. A Associação Água Viva aponta a falta de reservatórios como a principal causa do problema e cita a paralisação do projeto da Cava da Pedreira, cujo edital foi suspenso pela Sabesp em 2023.

A entidade acionou o Ministério Público por falhas no abastecimento e por lançamento irregular de esgoto no mar. Moradores relatam presença de esgoto nas praias da Enseada, Pernambuco, Pitangueiras e Tombo, inclusive em áreas certificadas com a Bandeira Azul. Em Pitangueiras, há pontos visíveis de despejo, segundo denúncias.

Na virada de 2024 para 2025, a região registrou um surto de infecção gastrointestinal. A Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou a presença de norovírus em amostras coletadas em Guarujá e Praia Grande, vírus que pode ser transmitido por água ou alimentos contaminados.

O Ministério Público criticou a atuação da Sabesp ao longo de 2025, apontando omissão e falhas recorrentes no serviço. No fim do ano, a concessionária apresentou um novo plano de obras, com previsão de investimento de R$ 430 milhões.

A prefeitura afirma ter intensificado a fiscalização e realizado reuniões com a Sabesp antes do verão, mas não detalhou medidas adotadas nem resultados obtidos. Já a Sabesp pediu desculpas pela falta de água, atribuiu os problemas ao calor, à alta demanda, à escassez de chuvas e a eventos climáticos, afirmou ter adotado ações emergenciais e negou falhas no sistema de esgoto, alegando que irregularidades são causadas por ligações clandestinas em imóveis.

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