Quando Cigana, Padre Damião, Rapazote, Antônio Cipriano, Dona Cosma, entre outros personagens, se encontraram no palco, o público do Anfiteatro da UNIFACCAMP soube que o fim do mundo nunca foi tão divertido. Foi na noite do último sábado (13) que a estreia do ano do Núcleo XIII de Artes Dramáticas, “Mas Será o Fim do Mundo?”, agitou a cena cultural local. A comédia apocalíptica, dirigida pelo professor Cleber Lima, celebrou os 20 anos de um grupo que, em parceria com a universidade, democratiza o acesso à cultura.
Sob a direção de Lima, docente da própria instituição, a montagem contou com a atuação do elenco formado por Alessandra Espírito Santo, Anderson Paulo, Elizabeth Novacek, Mirella Maraia, Mirlene Lopes, Paloma Camargos, Roni Damasio e Tiago Pinheiro. Os efeitos visuais e sonoros foram construídos com o figurino assinado por Paulo José e a sonoplastia e técnica sob a responsabilidade de Lucas Moraes. O trabalho contribuiu para o impacto da peça junto à plateia.
A peça abordou questões de reflexão de maneira leve e lúdica. Inspirada na Literatura de Cordel e nas histórias da tradição oral ibérica, a montagem é uma adaptação livre da obra “O Apocalipse ou O Capeta de Caruaru”, de Aldomar Conrado, que transpõe para o palco as tradições nordestinas. A narrativa se desenrola na cidade de Caruaru, em Pernambuco, e utiliza elementos do Realismo Fantástico e da Comédia Popular Nordestina.
Cleber Lima, diretor do Núcleo XIII, ressalta a trajetória do grupo, que, segundo ele, nasceu em um contexto acadêmico. “Desde 2005, somos o único grupo de teatro de Campo Limpo Paulista que conseguiu se manter ativo e ininterruptamente, inclusive durante a pandemia, quando realizávamos apresentações remotas online”, afirma Cleber, que expressa gratidão à UNIFACCAMP. “Aqui se tornou nossa casa, onde temos a liberdade para trabalhar. O Núcleo sempre teve a missão de proporcionar um espaço laboratorial e de desenvolvimento. Por isso, sempre experimentamos diferentes linguagens teatrais, com crítica social, entretenimento e até musicais já fizemos.”
A reitora da UNIFACCAMP, Simara Guimarães, enfatiza o apoio contínuo da instituição à arte. “Nossa instituição se orgulha em ser um palco vivo para a cultura, pois entendemos que, ao abrir nossas portas para a arte, não apenas enriquecemos a alma da comunidade, mas também solidificamos nosso compromisso com um futuro onde a sensibilidade e o conhecimento caminham juntos”, declara. A UNIFACCAMP cede espaços para ensaios e espetáculos, oferecendo entradas gratuitas para fomentar o acesso à cultura. O Anfiteatro da instituição passará por obras de modernização no próximo mês, visando ainda mais conforto aos espectadores.
Ao abordar temas universais por meio de símbolos e contextos locais, “Mas Será o Fim do Mundo?” não apenas presta homenagem à cultura nordestina, mas também promove um diálogo relevante entre essa tradição e o público contemporâneo. A apresentação reuniu aproximadamente 100 convidados. A próxima temporada da peça está prevista para 2026. Para mais informações, acompanhe a página do Núcleo XIII Artes Dramáticas nas redes sociais: nucleoxiii.