Um estudo realizado por pesquisadores das universidades Unisul e UFSC acompanhou, por 24 semanas, 30 crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA), entre 2 e 15 anos, que utilizaram óleo rico em canabidiol (CBD). O objetivo principal foi avaliar possíveis efeitos adversos do produto, que contém proporção de 14 partes de CBD para 1 de THC.
Segundo os pesquisadores, os pais relataram melhora principalmente na redução da agitação psicomotora, maior tranquilidade, receptividade para aulas e terapias e avanços na sociabilidade — aspecto para o qual não há medicamentos aprovados atualmente. Entre os efeitos adversos observados, houve apenas aumento do apetite e, em alguns casos, maior nervosismo.
Um dos casos acompanhados foi o de Mariano, hoje com 10 anos, que voltou a falar por volta dos 4 anos após o início do uso do CBD, segundo relato da mãe, a gastrônoma Fernanda Alves de Araújo. Ela afirma que o extrato de Cannabis contribuiu para maior contato visual, estímulos sociais e comunicação do filho.
O óleo utilizado foi fornecido pela Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Terapêutica (Abraflor) e é aprovado para uso medicinal no Brasil. Dos 30 pacientes, 16 reduziram ou interromperam o uso de outros medicamentos, como a risperidona, durante o tratamento.
O médico Alysson Madruga de Liz, autor principal do estudo, destaca que os resultados são promissores, mas ressalta a necessidade de pesquisas com amostras maiores. Trabalhos internacionais, como um estudo israelense de 2021 com 150 crianças, indicaram melhora em 49% dos pacientes que usaram medicamentos à base de Cannabis.
Pesquisadores apontam que, diante da falta de terapias farmacológicas eficazes para os sintomas centrais do TEA, o canabidiol tem sido considerado especialmente em casos de agitação e agressividade, sempre com acompanhamento médico.