Uso de vape entre adolescentes dispara no Brasil, enquanto consumo de álcool, cigarro e drogas cai

O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros disparou e já atinge 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos em 2024, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE. O percentual praticamente dobrou em relação a 2019, quando era de 16,8%.

O consumo é mais frequente entre meninas (31,7%) do que entre meninos (27,4%), e maior entre alunos da rede pública (30,4%) em comparação à rede privada (24,9%). Regionalmente, o Centro-Oeste lidera o crescimento, seguido pelas regiões Sul e Sudeste.

Na contramão do vape, houve queda no uso de outras substâncias. O consumo de álcool caiu de 63,3% para 53,6%, o de cigarro tradicional de 22,9% para 18,5%, e a experimentação de drogas ilícitas recuou de 12% para 8,3% no período. O uso de narguilé também diminuiu, passando de 23,8% para 10,6%.

A pesquisa aponta ainda que a experimentação de drogas ilícitas aumenta com a idade, chegando a 13% entre jovens de 16 e 17 anos. O Sul e o Sudeste concentram os maiores índices, enquanto o Nordeste apresenta os menores.

Segundo especialistas do IBGE, os dados indicam uma mudança no foco das políticas públicas: enquanto houve avanço na redução de substâncias tradicionais, cresce o desafio de conter a popularização dos dispositivos eletrônicos entre jovens.

Mesmo proibidos no país pela Anvisa, os vapes seguem amplamente disponíveis no mercado ilegal, sem controle sobre sua composição. O número de usuários no Brasil saltou de 500 mil em 2018 para 2 milhões em 2022, segundo o Ipec, enquanto apreensões pela Receita Federal também aumentaram significativamente.

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