Uso do FGTS para quitar dívidas compromete casa própria e poupança, dizem entidades

A proposta do governo de liberar o FGTS para quitar dívidas, em um possível “Desenrola 2.0”, ainda está em fase inicial, mas já enfrenta forte resistência de entidades e especialistas.

Apesar do alto nível de endividamento no país, a avaliação predominante é de que usar o fundo não é a melhor solução. Isso porque o FGTS é considerado uma poupança do trabalhador e uma das principais fontes de financiamento da habitação, saneamento e infraestrutura.

Representantes do setor da construção civil alertam que a medida pode reduzir recursos para o crédito imobiliário e afetar diretamente a produção de moradias, principalmente para famílias de baixa renda. O Brasil já tem um déficit habitacional estimado em cerca de 6 milhões de moradias.

Especialistas também afirmam que a proposta pode aliviar o orçamento das famílias apenas no curto prazo, sem resolver a causa do endividamento, que está ligada aos juros altos e ao desequilíbrio financeiro.

Dados apontam que o país soma mais de 81 milhões de inadimplentes. Para analistas, liberar o FGTS pode até reduzir esse número temporariamente, mas não impede que as dívidas voltem a crescer.

Entre representantes dos trabalhadores, o tom é de cautela. A preocupação é com o impacto na sustentabilidade do fundo, que já financia políticas públicas e serve como proteção em casos como demissão sem justa causa.

Criado em 1966, o FGTS segue sendo um dos principais instrumentos de apoio ao trabalhador e à economia, o que reforça o debate sobre os riscos de mudanças em sua utilização.

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Email