Um estudo brasileiro publicado neste mês na revista científica ACS Omega aponta que o uso prolongado de medicamentos inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, pode causar desequilíbrios na absorção e na distribuição de minerais essenciais no organismo. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), com base em testes realizados em ratos.
Os animais foram submetidos ao uso contínuo de omeprazol por períodos equivalentes a 10, 30 e 60 dias. As análises de sangue e de órgãos como estômago, fígado e baço indicaram aumento do cálcio no sangue, o que pode sugerir retirada do mineral dos ossos e risco futuro de osteoporose. Também foi observada queda nos níveis de ferro circulante, associada a sinais compatíveis com anemia, além de alterações em magnésio, zinco, cobre e potássio, minerais importantes para funções neuromusculares, imunológicas e cardiovasculares.
Segundo os pesquisadores, esses efeitos ocorrem porque o medicamento reduz a acidez do estômago, condição essencial para a absorção adequada de minerais como ferro e cálcio. Embora eficaz no tratamento de refluxo, gastrite e azia, o uso prolongado e sem acompanhamento médico pode trazer riscos pouco conhecidos.
O estudo ganha relevância após a Anvisa autorizar, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20 mg sem receita médica, com indicação de uso por até 14 dias. Especialistas alertam que a facilidade de acesso pode estimular a automedicação e o uso prolongado.
Os autores ressaltam que os resultados se baseiam em estudos com animais e que são necessárias pesquisas mais longas e em humanos para confirmar os achados e avaliar impactos clínicos diretos.