A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan manteve eficácia de 80,5% contra casos graves da doença e quadros com sinais de alerta após cinco anos de acompanhamento dos estudos clínicos. Os resultados foram divulgados na revista científica Nature Medicine.
Durante o estudo, foram registradas oito hospitalizações por dengue, todas entre participantes que não receberam o imunizante, o que indica elevada proteção também contra internações e complicações.
O imunizante, primeiro do mundo aplicado em dose única contra a dengue, apresentou 65% de eficácia geral contra casos confirmados da doença, índice acima do mínimo de 50% exigido pela Organização Mundial da Saúde para aprovação de vacinas.
O estudo de fase 3 contou com 16.235 voluntários entre 2 e 59 anos e foi realizado entre 2016 e 2019, com acompanhamento concluído em 2024. A análise mostrou que a proteção contra casos confirmados se manteve elevada ao longo do período.
A eficácia foi maior entre pessoas que já tiveram dengue anteriormente (77,1%), enquanto entre indivíduos sem contato prévio com o vírus a proteção foi de 58,9%. Em relação aos sorotipos, a vacina apresentou 73% de proteção contra o tipo 1 e 55,7% contra o tipo 2.
Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallás, o acompanhamento enfrentou desafios por ter ocorrido durante a pandemia de Covid-19, período em que houve redução de circulação de pessoas e, consequentemente, menor transmissão da dengue.
Além da eficácia, o estudo confirmou segurança do imunizante em todas as faixas etárias avaliadas, com efeitos colaterais leves, como dor de cabeça, fadiga e dor no corpo.
A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos. Até agora, 1,3 milhão de doses foram enviadas ao Programa Nacional de Imunizações para aplicação no SUS.
Em 2026, o instituto iniciou estudos para ampliar o uso do imunizante em pessoas com mais de 60 anos.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil já registrou 95.809 casos prováveis de dengue em 2026, com 18 mortes confirmadas e 115 em investigação até 21 de fevereiro.