Vacina experimental contra HIV avança ao estimular defesa contra partes estáveis do vírus

Uma vacina experimental contra o HIV apresentou resultados promissores ao induzir, pela primeira vez, anticorpos amplamente neutralizantes circulando no sangue de macacos-rhesus vacinados. O estudo, publicado na revista Nature e apresentado durante a Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, representa um avanço na busca por um imunizante capaz de enfrentar a alta capacidade de mutação do vírus.

Desenvolvida por pesquisadores do Scripps Research Institute, da IAVI, do Fred Hutchinson Cancer Center e da Emory University, a estratégia utiliza a técnica conhecida como germline-targeting. O método estimula o sistema imunológico a reconhecer regiões do HIV que permanecem praticamente inalteradas, dificultando a fuga do vírus da resposta imunológica.

Os cientistas aplicaram entre cinco e sete doses da vacina em 24 macacos ao longo de mais de dois anos. Ao final do protocolo, mais da metade dos animais desenvolveu anticorpos com ampla capacidade de neutralização, enquanto 44% apresentaram essas moléculas circulando no sangue, sinal considerado importante para uma possível proteção contra a infecção. O melhor resultado alcançou um nível de resposta estimado em até 90% de proteção contra diferentes variantes do HIV.

Especialistas destacam que, apesar do avanço, a vacina ainda enfrenta desafios. O esquema testado exige diversas aplicações em um longo período, o que inviabiliza seu uso em larga escala. Além disso, a duração da proteção ainda precisa ser confirmada.

Mesmo com o sucesso crescente da PrEP, que hoje conta com medicamentos de longa duração para prevenir a infecção, pesquisadores afirmam que uma vacina continua sendo essencial para reduzir ainda mais a transmissão do HIV, principalmente entre pessoas que não se enquadram nos grupos tradicionais de risco.

O primeiro componente da vacina, chamado N332-GT5, já está sendo avaliado em estudos clínicos com voluntários humanos. A expectativa é que, caso os resultados sejam confirmados, novos testes de eficácia em larga escala possam ser iniciados na próxima década.

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