Vacinação global contra o sarampo cai após a Covid, com aumento de casos e mortes em 2023

A redução no ritmo da vacinação infantil contra o sarampo após a pandemia de Covid-19 contribuiu para o aumento de casos e mortes pela doença em diferentes regiões do mundo. Entre 2019 e 2023, a incidência em crianças de até cinco anos cresceu cerca de 40%, passando de 11,1 milhões para 15,6 milhões de casos, segundo estudo publicado na revista científica Nature Medicine.

A pesquisa, baseada em dados do Global Burden of Diseases, também identificou aumento da mortalidade. A taxa passou de 15,3 mortes por 100 mil crianças em 2019 para 18,4 em 2023, uma alta de aproximadamente 20%.

Entre os fatores apontados pelos pesquisadores estão as interrupções nos serviços de saúde durante a pandemia, as dificuldades de acesso às vacinas, a fragilidade das políticas de imunização e a disseminação de informações falsas sobre os imunizantes.

A cobertura da primeira dose da vacina caiu de 83,5% em 2019 para 81% em 2023. Já o número de crianças que não receberam nenhuma dose aumentou de 19,3 milhões para 22,2 milhões no mesmo período.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda cobertura vacinal de pelo menos 95% com as duas doses para prevenir a circulação do vírus e reduzir o risco de surtos.

Brasil recuperou certificação, mas casos preocupam

O Brasil voltou a receber, em 2024, a certificação de eliminação do sarampo, após recuperar os índices de vacinação e não registrar casos de transmissão local desde 2022. O país havia perdido o reconhecimento em 2019, diante do aumento das infecções.

Apesar do avanço, registros da doença em São Paulo neste ano mantêm especialistas em alerta. O sarampo é altamente contagioso: uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até outras 15 pessoas.

Especialistas destacam que a manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para evitar novos surtos e preservar os avanços conquistados ao longo de décadas na saúde pública.

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Email