O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, decidiu apostar todas as fichas na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Nos bastidores, o partido já trabalha em uma estratégia de marketing para apresentar Flávio como uma versão mais moderada de Jair Bolsonaro, com o objetivo central de reduzir a rejeição ao nome do senador.
A principal linha do plano é vender Flávio como “o Bolsonaro que tomou a vacina”, buscando diferenciá-lo das posições mais controversas do ex-presidente, especialmente durante a pandemia. A ideia é ampliar o diálogo com setores do eleitorado conservador que hoje resistem ao bolsonarismo mais radical.
Para viabilizar o projeto, Valdemar aposta na pacificação interna do campo conservador. Uma conversa entre Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é vista como essencial para aparar arestas e reduzir ruídos públicos após a definição do nome de Flávio. Tarcísio deve visitar Bolsonaro na prisão, após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O PL também projeta um trio de cabos eleitorais para dar musculatura nacional à campanha: Tarcísio de Freitas, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Para Valdemar, o engajamento desses nomes é decisivo para impulsionar a candidatura.
Entre lideranças do Centrão, a avaliação é de que Tarcísio perdeu o momento de se viabilizar como alternativa presidencial, ao optar por não confrontar Bolsonaro. Aliados afirmam que o governador não aceitaria a imagem de traidor e, com a consolidação de Flávio, uma mudança de cenário só ocorreria diante de um fato novo improvável.
Publicamente, Tarcísio declarou ver a pré-candidatura de Flávio fortalecida e reafirmou que está focado na reeleição ao governo paulista, deixando uma eventual disputa presidencial para 2030.