A produção de alimentos orgânicos para a merenda escolar aliada à educação ambiental rendeu ao Projeto Vale Verde, da Prefeitura de Jundiaí, novo reconhecimento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Em publicação nas redes sociais nesta semana, o órgão apresentou a iniciativa como uma boa prática que pode servir de referência para outros municípios.
Com 27 anos de história, a Horta Vale Verde, localizada no espaço da ETEC Benedito Storani, no bairro Recanto Quarto Centenário, ocupa uma área de 50 mil metros quadrados e produz hortaliças, legumes, temperos e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), cultivados de forma totalmente orgânica. Entre os alimentos produzidos estão alface, rúcula, cenoura, beterraba e cheiro-verde, que abastecem a alimentação escolar da rede municipal, especialmente das creches, contribuindo para refeições mais saudáveis e nutritivas.
Educação, alimentação saudável e sustentabilidade
Além de produzir alimentos, o Vale Verde recebe, ao longo do ano, estudantes de diversas escolas municipais para vivências ambientais do programa Escola da Gente, da Secretaria Municipal de Educação (SME). Nesta semana, os alunos do 1º ano da EMEB João Luiz de Campos conheceram o cultivo de hortaliças, as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), o ciclo das plantas e as abelhas Jataí, espécie nativa sem ferrão.
Segundo a professora de Projetos da Área da SME, Elza da Cunha Franco, o Vale Verde aproxima as crianças da natureza, incentiva hábitos alimentares saudáveis e complementa o trabalho desenvolvido nas hortas escolares. “Aqui, elas conhecem a origem dos alimentos, acompanham o ciclo das plantas, da semente à colheita, experimentam novas espécies e entendem a importância da agricultura para uma alimentação saudável.”
Na visita, os estudantes compartilharam as descobertas feitas na horta. Helena contou que ficou encantada com as abelhas Jataí e levou para casa os exemplares de plantas apresentados para mostrar à mãe. Isabela disse que o que mais chamou sua atenção foram as plantas comestíveis, enquanto Otto destacou que a melhor parte da atividade foi experimentar as diferentes espécies cultivadas no Vale Verde.
Aprendizado que floresce nas escolas
A proposta é que a experiência vivida no Vale Verde tenha continuidade nas unidades escolares, onde os estudantes colocam em prática o que aprenderam durante as visitas. Assim, o cultivo, a observação do desenvolvimento das plantas e o contato com os alimentos passam a fazer parte da rotina das escolas.
A EMEB João Luiz de Campos é um exemplo desse trabalho. A unidade mantém uma horta escolar onde os alunos do 1º ao 5º ano participam do plantio, dos cuidados e da colheita dos alimentos utilizados nas refeições oferecidas pela própria escola.
O trabalho faz parte de uma política consolidada em Jundiaí. As hortas escolares possuem respaldo legal e são obrigatórias na rede municipal desde 1984. Atualmente, 80 escolas mantêm hortas em funcionamento, outras 26 estão em processo de manutenção e 38 contam com sistemas de compostagem, fortalecendo as ações de educação ambiental e sustentabilidade em toda a rede.
Para a coordenadora da escola, Lilian de Cássia Ruy Oliveira, o projeto vai muito além do cultivo de alimentos. “Além de contribuir para o aprendizado em diversas disciplinas, a horta favorece a inclusão. Muitas crianças com seletividade alimentar passam a experimentar novos alimentos depois de cultivá-los. Também percebemos benefícios para alunos com questões sensoriais, que encontram na atividade um momento de regulação e bem-estar.”