O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, teria tentado mediar, no fim do ano passado, um asilo para Nicolás Maduro na Rússia, segundo o The Washington Post. A iniciativa ocorreu em uma conversa na véspera de Natal com o embaixador dos EUA na Santa Sé, Brian Burch, quando Parolin buscou entender os planos americanos para a Venezuela.
O Vaticano confirmou contatos no período, mas criticou a divulgação parcial de uma conversa confidencial. O Departamento de Estado dos EUA e o Kremlin não comentaram. As informações se baseiam em documentos e relatos de cerca de 20 fontes anônimas.
Parolin teria defendido uma saída pacífica, reconhecendo que Maduro precisaria deixar o poder, e afirmou que a Rússia estaria disposta a recebê-lo. Segundo o jornal, a oferta de asilo estaria ligada ao contexto da guerra da Ucrânia, com a Venezuela sendo usada como peça de negociação entre Moscou e Kiev.
O cardeal também teria dito que Maduro considerou renunciar após as eleições de 2024, vencidas sem comprovação legal, mas foi convencido a permanecer no cargo por aliados. Parolin pediu clareza dos EUA, prazo para a saída do líder venezuelano e garantias à família.
Dias depois, os EUA bombardearam cidades venezuelanas e capturaram Maduro e sua esposa, levados a Nova York para julgamento por narcoterrorismo. O jornal aponta que o ditador pode ter recusado o asilo russo por limitações financeiras.