O Vaticano publicou um documento considerado histórico ao reconhecer que pessoas LGBTQIA+ enfrentam “solidão, angústia e estigma” também dentro da Igreja Católica. O relatório, elaborado por um grupo de estudos formado por bispos, padres, uma freira e um leigo, reúne depoimentos de dois católicos homossexuais e critica os impactos da chamada terapia de conversão, conhecida como “cura gay”.
O texto foi divulgado na terça-feira (5) com o título “Critérios teológicos e metodologias sinodais para o discernimento compartilhado de questões doutrinárias, pastorais e éticas emergentes” e integra os debates do Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo papa Francisco, morto em abril de 2025.
Em um dos relatos, um homem gay de Portugal afirma ter sofrido danos emocionais após passar por terapias de conversão e conta que chegou a ser aconselhado a se casar com uma mulher para “encontrar paz”. Segundo ele, a experiência causou sofrimento e o afastou da vida espiritual.
Outro depoimento, de um católico dos Estados Unidos, descreve a sexualidade como um “presente de Deus” e relata viver um casamento homoafetivo “feliz e saudável”. Ele também critica experiências em grupos ligados à terapia de conversão e destaca a importância de comunidades religiosas acolhedoras.
Os dois fiéis defendem maior reconhecimento da dignidade das pessoas LGBTQIA+ dentro da Igreja. O documento não propõe mudanças na doutrina católica, mas gerou repercussão entre setores conservadores e grupos favoráveis à inclusão.
Nos últimos anos, o Vaticano já havia adotado medidas vistas como mais abertas à população LGBTQIA+, como permitir bênçãos a casais do mesmo sexo e flexibilizar regras para a entrada de homens gays em seminários, desde que mantenham o celibato.
O atual papa, Leão 14, já indicou que pretende manter parte das políticas de acolhimento adotadas por Francisco, embora sem promover alterações profundas na doutrina da Igreja Católica.