A Polícia Federal (PF) apontou que o senador Ciro Nogueira teria recebido ao menos R$ 6 milhões em repasses mensais do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entre 2024 e 2025. As informações constam em documentos encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da investigação sobre uma suposta fraude bilionária no sistema financeiro.
Segundo a PF, mensagens trocadas entre Vorcaro e operadores ligados ao banco indicam a existência de pagamentos recorrentes inicialmente de R$ 300 mil por mês, valor que posteriormente teria chegado a R$ 500 mil. Os investigadores afirmam que os diálogos demonstram conhecimento e prioridade atribuída por Vorcaro à manutenção dos repasses.
A investigação aponta que os recursos teriam sido direcionados a empresas ligadas à família do senador, como a CNLF e a CN Motos. De acordo com a PF, essas estruturas teriam sido utilizadas para ocultar e dissimular valores, inclusive por meio de depósitos fracionados em espécie, prática considerada indicativa de lavagem de dinheiro.
Relatórios também citam registros financeiros com anotações como “Espécie Ciro 350K”, além de relatos sobre transporte de dinheiro em espécie em voos privados. A PF afirma ainda ter identificado o custeio de viagens, hospedagens em hotéis de luxo e uso de jatos particulares por intermédio de terceiros.
Outro ponto da investigação envolve a aquisição, por empresa ligada ao senador, de 30% da Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão, embora a participação fosse estimada em cerca de R$ 12,9 milhões. Para os investigadores, a operação teria proporcionado vantagem indevida e servido como mecanismo para repasse de dividendos de forma aparentemente regular.
A PF sustenta haver indícios dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Também foi solicitada a suspensão das atividades de empresas relacionadas ao caso.
Até o momento citado na reportagem, a defesa do senador não havia se manifestado sobre as acusações. As investigações seguem em análise no STF e ainda não há decisão definitiva da Justiça sobre o caso.