A delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ainda não tem garantia de aceitação no STF e dependerá do cumprimento de exigências rigorosas. Para obter benefícios, como eventual redução de pena, ele precisará apresentar provas inéditas e indicar caminhos para a recuperação de valores obtidos ilegalmente — apenas reforçar o que já foi apurado não será suficiente.
As negociações envolvem a defesa de Vorcaro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, que precisam chegar a um consenso para o acordo avançar. A expectativa é que essa etapa dure cerca de três meses. Em seguida, caberá ao ministro André Mendonça decidir sobre a homologação.
Investigadores sinalizam que a colaboração precisa ser ampla e detalhada. Há resistência caso Vorcaro omita informações relevantes, especialmente envolvendo autoridades. Inicialmente, ele teria evitado citar ministros do STF, o que travou as tratativas, mas depois sua defesa indicou que não haveria restrições.
Apontado como líder do esquema, Vorcaro não deve receber perdão judicial. Os benefícios possíveis incluem redução de pena ou condições mais brandas. O caso envolve prejuízos que já ultrapassam R$ 57 bilhões, sendo R$ 51,8 bilhões relacionados a ressarcimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O ex-banqueiro já assinou um termo de confidencialidade, que impede o uso de suas declarações caso o acordo não seja concluído. Agora, ele prepara, junto à defesa, os elementos que serão apresentados às autoridades, que irão analisar a consistência das informações antes de avançar para os depoimentos formais.