A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou um programa piloto para oferecer o medicamento Wegovy (semaglutida injetável) em três centros da rede pública de saúde do Brasil. A iniciativa faz parte de um projeto global em parceria com o governo da Dinamarca e também será aplicada em ilhas do Pacífico e no próprio país europeu. O tratamento será acompanhado por um protocolo multidisciplinar de cuidado por pelo menos dois anos.
No Brasil, a parceria envolverá instituições dos três níveis de governo. Entre elas estão o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, no Rio de Janeiro, além de um terceiro centro municipal ainda a ser escolhido. Entretanto, a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro informou que não há parceria formal firmada entre o instituto e a farmacêutica.
O programa foi apresentado ao Ministério da Saúde do Brasil, que acompanhará os resultados, mas não participa diretamente da iniciativa. Apenas pacientes que já são atendidos nas instituições poderão participar, e cada centro definirá seus próprios critérios de seleção.
Além de fornecer o medicamento, a Novo Nordisk também irá capacitar profissionais de saúde, apoiar a gestão do cuidado e financiar o monitoramento independente dos dados por instituições técnicas e acadêmicas. O objetivo é gerar evidências clínicas, econômicas e sociais sobre o tratamento da obesidade grave no Sistema Único de Saúde (SUS), ajudando em futuras decisões sobre a incorporação desse tipo de tecnologia.
Atualmente, nenhum medicamento para controle de peso é disponibilizado no SUS. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS rejeitou a inclusão da semaglutida e da liraglutida, citando um impacto financeiro estimado de cerca de R$ 8 bilhões por ano.
Dados do Atlas Mundial da Obesidade indicam que um em cada três brasileiros é obeso e que 68% da população tem sobrepeso. A iniciativa busca avaliar se o tratamento precoce pode reduzir complicações graves e custos para o sistema de saúde, como cirurgias cardíacas, diálise e internações. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia destacou a importância da iniciativa para ampliar o tratamento da obesidade como doença crônica no país.