Um levantamento realizado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) aponta o WhatsApp como o meio digital mais citado em processos relacionados a assédio eleitoral nas relações de trabalho.
A pesquisa analisou 138 processos judiciais registrados entre maio de 2023 e dezembro de 2025. Em 51 deles, o WhatsApp foi mencionado. Facebook e Instagram apareceram juntos em 20 processos. Ao todo, foram identificadas 93 ocorrências envolvendo meios digitais, incluindo aplicativos de mensagens, e-mails, redes sociais e videoconferências.
O estudo classifica o assédio eleitoral em seis modalidades: verbal, documental, digital, psicológico, comportamental e econômico. As categorias podem aparecer simultaneamente em uma mesma situação.
Entre os exemplos estão pressões políticas por meio de mensagens, participação obrigatória em atos ou reuniões, ameaças relacionadas ao resultado das eleições e associação entre uma determinada escolha política e possíveis perdas ou benefícios financeiros.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a dificuldade de comprovar as situações denunciadas. Das 59 sentenças de primeira instância analisadas, 18 reconheceram a ocorrência de assédio eleitoral, enquanto 41 rejeitaram os pedidos.
Nas decisões em que os pedidos foram negados, 31 mencionaram fragilidade nas provas, o equivalente a 75,6%. Entre os elementos considerados pela Justiça estão depoimentos, documentos, mensagens e outros registros digitais, áudios, atas notariais, confissões e provas obtidas em investigações de outros órgãos.
O levantamento também aponta que o assédio pode ocorrer entre superiores e trabalhadores, entre colegas de mesmo nível hierárquico ou em situações que envolvam diferentes níveis da organização. A prática pode atingir uma única pessoa ou um grupo de trabalhadores e ser episódica ou prolongada.
Segundo o estudo, o uso de meios digitais ganhou protagonismo nas formas atuais de assédio eleitoral, ao mesmo tempo em que registros e mensagens podem se tornar elementos importantes na apuração dos casos.