O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, prestou depoimento nesta quarta-feira (18) em um julgamento histórico nos Estados Unidos que discute o suposto vício de jovens em redes sociais. Ele afirmou ao júri que a empresa não permite a entrada de crianças menores de 13 anos no Instagram e no Facebook, apesar de ter sido confrontado com documentos internos que indicam a presença de milhões de usuários abaixo dessa idade nas plataformas.
O caso é o primeiro de uma série de processos movidos por famílias americanas contra grandes empresas de tecnologia e pode abrir precedente para milhares de ações semelhantes. O julgamento avaliará se o YouTube, do Google, e o Instagram contribuíram para problemas de saúde mental de Kaley G.M., hoje com 20 anos. Ela começou a usar o YouTube aos 6 anos e o Instagram aos 11, e afirma que as plataformas estimularam o uso compulsivo, agravando sua depressão.
Durante o depoimento, Zuckerberg foi questionado sobre metas internas que buscavam aumentar o tempo de uso dos aplicativos e sobre apresentações que sugeriam interesse em atrair pré-adolescentes. Ele reconheceu que, no passado, havia objetivos relacionados ao tempo de permanência, mas afirmou que a empresa mudou sua abordagem e que a responsabilidade pela verificação de idade deveria recair também sobre fabricantes de dispositivos.
O processo foca no design das plataformas, algoritmos e mecanismos de personalização, já que a legislação americana limita a responsabilização das empresas por conteúdos publicados por usuários. TikTok e Snapchat firmaram acordos confidenciais antes do início do julgamento.